Redescobrir o mundo rural

quarta-feira, maio 03, 2006

Corda à Campanha



























"A grande generosidade
está em lutar para que,
cada vez mais,
essas mãos,
sejam de homens
ou de povos,
se estendam menos,
em gestos de súplica.
Súplica de humildes
a poderosos.
E se vão fazendo,
cada vez mais,
mãos humanas,
que trabalhem e
transformem o mundo."

Paulo Freire


Este poema sugeriu-me o princípio para apoiar a obra da UNICEF.


"Vai e faz tu também o mesmo" (Cf Lc 10, 25-37)

- Dar de comer a quem tem fome;
- Dar de beber a quem tem sede;
- Vestir os nus;
- Assistir aos infermos...



A Comissão dos Direitos Humanos da ONU declarou "O desenvolvimento é um processo económico, social, cultural e político abrangente, que visa o constante melhoramento do bem estar de toda a população e de cada pessoa, na base da sua participação activa, livre e significativa e na justa distribuição dos benefícios resultantes dele."
Tantas coisas belas pervertidas ... e que ficam por cumprir, adiadas, irremediavelmente, comprometidas... tais valores universais como uma vida de qualidade, educação, participação, democracia, respeito aos direitos humanos, protecção... tais valores só se alcançam se houver construção colectiva do social, convivialidade entre as diferenças, cordialidade nas relações, compaixão e se criarmos estratégias de compensação e de integração.
Nasce assim a responsabilidade, a obrigação de dar respostas.
Como refere Leonardo Boff, um dos maiores desafios lançados é indubitavelmente o dos milhões e milhões de pobres, oprimidos e excluídos das nossas sociedades. "Esse antifenómeno resulta de formas altamente injustas da organização social hoje mundialmente integrada. Com efeito, graças aos avanços tecnológicos, nas últimas décadas verificou-se um crescimento fantástico na produção de serviços e bens materiais, entretanto, desumanamente distribuídos, fazendo com que 2/3 da humanidade viva em grande pobreza."
A opção pelos pobres contra a sua pobreza e em favor da sua vida e liberdade, dos trabalhadores explorados, dos indígenas e negros discriminados, das mulheres oprimidas e das minorias marginalizadas, dos portadores da Aids ou de qualquer outra deficiência, deve constituir a marca registada não só das organizações de solidariedade e da Igreja mas também de cada um de nós, pelas nossas atitudes, por um novo paradigma desta civilização, que tem de arriscar para a construção de uma sociedade diferente.
Se os problemas com os pobres, marginalizados e excluídos não forem equacionados podemos estar condenados a não sair da pré-história?
Poderemos ter inaugurado o novo milénio, mas a nova civilização e a era da paz entre os humanos ainda está longe de acontecer.
"Banco Alimentar Contra a Fome" - 6 e 7 de Maio próximo, estará num supermercado próximo de nós.
Este desafio foi-me lançado pelo blog http://laminadagua.blogspot.com/
e esta imagem dedico-a à minha mãe e a todas as mães que vieram a esta vida para servir e cuidar dos outros.

4 Comments:

At 6:43 da tarde, Blogger Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba said...

Eva...

Ficou lindo!!!

E é agradável ver como cada um redireciona a idéia a sua maneira.

Como tu, também já me contentava que com ao menos alguma sensibilidade, por considerar uma utopia vã, que os comportamentos diante das mazelas alheias, algum dia venham de fato mudar. Mas enfim...


Meus parabéns Eva!!!

Com meu obrigada de coração!!!
Beijinhos!!!

 
At 9:49 da manhã, Blogger Desambientado said...

Fantástico post.

É sentido e profundo.

 
At 8:03 da tarde, Blogger vidal said...

lâmina d'água

Eu é que agradeço este desafio.
Senti uma enorme responsabilidade mas como é evidente não podia deixar de cumprir de alguma forma a incumbência.
Devo dizer que não foi fácil, talvez pq na verdade fico sempre com algumas dúvidas em relação às contribuições e se os seus objectivos ficam cumpridos.
Por outro lado, experiências antigas,ainda trazem lembranças que me magoam muito. Fiz intervenção com pessoas que viviam no limiar da sobrevivência e que dependiam da generosidade dos vizinhos que lhes ofereciam umas sopas. O chão da sua casa era de terra batida, a cozinha era um panelão no meio da mata, água canalizada não havia, nem electricidade, nem banheiro... E acho que o mais importante para essa gente era encontrarem alguém em quem confiar.
Obrigada Cris por me confiar esta responsabilidade e espero conseguir mesmo sensibilizar alguém.
Beijinhos

 
At 8:09 da tarde, Blogger vidal said...

desambientado

Este post nasceu mesmo de uma conjugação de emoções sentidas... no tempo e em presença.
Tempo de elaborar as prendas para o Dia da Mãe com os meus meninos, presença de espírito, frustação, saudade, lembranças, responsabilidade (do tamanho do mundo), lirísmo e esperança.
Fiquei com dúvidas se conseguiria passar a mensagem mas pelos vossos comentários sinto-me bem mais tranquila.
Até amanhã!

 

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